Putos da Banda

O SÍTIO da música ao vivo da Capital. Agenda Cultural. Roteiros noctívagos. Reportagens de concertos. Sugestões diárias de postos de escuta em Lx. Bares, clubes e cabarets com boa música. Puxem uma cadeira e deixem-se estar, bebem alguma coisa?

quarta-feira, junho 06, 2007

Festival Músicas do Mundo 2007

Entre 20 e 28 de Julho, o Festival Músicas do Mundo, o maior do género realizado em Portugal, regressa a Sines e Porto Covo para nove dias de música com 32 concertos dos cinco continentes.

É com um grupo português que o festival abre, dia 28, em Porto Covo. De forma rigorosa e divertida, os Galandum Galundaina dão-nos a conhecer a música, dança e língua das Terras de Miranda. Mas há mais Portugal no festival 2007. Ainda em Porto Covo, faz-se a estreia mundial de uma parceria entre o flautista Rão Kyao e o saxofonista norueguês Karl Seglem. No Centro de Artes, encontramos uma das mais misteriosas cantoras portuguesas, Lula Pena. No Castelo, o contrabaixista Carlos Bica apresenta o seu projecto mais emblemático, “Azul”.

Directamente do Brasil, vem Hamilton de Holanda, considerado hoje o melhor bandolinista do mundo.

A cultura do leste europeu vive uma fase de renascimento e o festival 2007 dá-lhe um peso reforçado na programação. As viagens sonoras do croata Darko Rundek, o jazz de fusão dos húngaros Djabe, o rock experimental russo e arménio dos Deti Picasso e o “ska dos Cárpatos” dos ucranianos Haydamaky são o contingente oriental em Porto Covo. Em Sines, a fechar com fogo-de-artifício os concertos do Castelo punk cigano efervescente, com a estreia em Portugal dos Gogol Bordello, melhor grupo das Américas de 2006, eleito pela BBC Radio 3.

Da metade oeste da Europa, a música também é de luxo. Os premiados Bellowhead vêm ao Castelo demonstrar porque são o melhor que aconteceu à folk britânica neste início de século. Na Praia, La Etruria Criminale Banda abre novos caminhos à música tradicional italiana. Da sempre interessante Bretanha, ouvimos a redescoberta modal dos Norkst e o quarteto acústico do violinista Jacky Molard. As irmãs Ttukunak dão espectáculo com a interpretação inovadora de uma velha percussão basca. Depois há os cantautores: Marcel Kanche, da França, e Erika Stucky, da Suíça, criadores aventurosos e originais, com o gosto por correr riscos.

Super-potência das músicas do mundo, a África sub-sahariana é novamente responsável por uma das porções mais interessantes do programa. Em 2007, o destaque é o etíope Mahmoud Ahmed, artista africano do ano e um dos maiores cantores mundiais. Também a não perder o somali K’Naan, revelação da “world music” em 2006, que traz pela primeira vez o “hip hop” ao cenário privilegiado do Castelo. Mas há mais. A maliana Mamani Keita canta, em Porto Covo, com o guitarrista francês Nicolas Repac e, em Sines, os Kasaï Allstars entram em palco com a tradição psicadélica do Congo. Subamos agora o deserto.

Do Norte de África, três concertos fundamentais. Logo no primeiro dia, escutamos os blues do Níger pelo grupo Etran Finatawa, que junta músicos tuaregues e “wodaabe”. Oriunda do vizinho Mali, atenção máxima aos Tartit, música e dança de um raro matriarcado da África de influência islâmica. Fazendo a ponte entre o Magrebe e a Europa, o argelino Rachid Taha promete um dos concertos mais quentes do festival.

Género universal, o jazz volta a estar em força no programa do Festival Músicas do Mundo. Em 2007, destaque para o clarinetista Don Byron, que traz a Porto Covo o seu novo projecto, onde visita a música de um pioneiro da música “soul” dos anos 60, Junior Walker. A Sines, regressa o mítico World Saxophone Quartet, actualmente a trabalhar “Political Blues”, manifesto musical contra o clima político dos Estados Unidos contemporâneos. Na estreia da Oceania no festival, o jovem grupo da Austrália e Nova Zelândia Aronas funde os ritmos da Polinésia com o jazz num concerto para surpreender.

Um dos estilos mais populares no festival, o reggae, tem em 2007 duas propostas muito diferentes. A dupla genial do “dub”, Sly & Robbie, regressa na companhia do cantor britânico Bitty McLean. Bebendo nos sons seculares de um velho povo do Japão, os Ainu, a Oki Dub Ainu Band faz uma inesperada e muito dançante fusão da tradição japonesa com o ritmo jamaicano.

Mas as alquimias desconcertantes não ficam por aqui. Harry Manx voa do Canadá para um concerto de blues com influências da Índia. O percussionista indiano Trilok Gurtu abre a música no Castelo com um quarteto de cordas vindo de Itália. E, no último concerto do festival, Señor Coconut faz a festa com arranjos latinos de sucessos da pop electrónica alemã e japonesa.

É esta a programação musical. No Centro de Artes há conversas com artistas, realiza-se um ciclo de cinema com o tema “Música e Trabalho” e está patente uma exposição do fotógrafo angolano Kiluanji Kia Kenda. Depois dos concertos nocturnos da Praia, a música continua, na Praia, até ao sol nascer, em quatro sessões de DJ.

Toda a programação em www.fmm.com.pt

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial